Ser ou não ser... feriado
Os feriados são caros e as "pontes" também, e ao que parece Portugal tem mais feriados do que muitos outros países. A conclusão, logo, para um governo "mão-de-tesoura" é cortar feriados. Sem outros dados mais convincentes, parece-me que "encostar" quase todos ao fim de semana seria uma solução quase equivalente e um compromisso razoável entre a perda de produtividade e o estímulo às indústrias de lazer. No entanto, solução de "corte" não me merece objecção, embora me pareça uma medida às cegas: continuará a haver "pontes"? tolerâncias de ponto? o custo de um feriado em Agosto é igual ao de um feriado em Dezembro? que influência tem a proximidade com outros feriados? os feriados municipais justificam-se numa economia global?
Enfim...um sem número de questões.
Das hipóteses de supressão constam 2 feriados religiosos e 2 civis. Ora bem, quanto aos religiosos defere-se à Igreja a decisão. Muito bem. Quanto aos civis, aí há que estabelecer um critério. O corte não pode ser indiscriminado ou fruto de meras opções conjunturais, partidárias ou governamentais. Ora, na proposta em discussão está em causa a eliminação do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro. É uma solução totalmente incoerente, pois o 5 de Outubro é um feriado comemorativo de um regime, enquanto o 1º de Dezembro, a celebração da independência. Daí que a eliminação da instauração da República fosse coerente com a eliminação do 25 de Abril, outro feriado de "regime". Paralelamente, se a opção fosse o corte de feriados "históricos" ou nacionalistas, então o 1º de Dezembro, deveria emparelhar com o 10 de Junho. Isto, claro está se se entendesse, ilogicamente, que a comemoração de mudanças de regime (contigência histórica) deveria prevalecer sobre a celebração da existência de nação (essência histórica). Sei que o "25 de Abril" é um feriado "vivo" (embora moribundo nas gerações abaixo dos 40), ao passo que o 1º de Dezembro, é um feriado "morto", mas também há que reconhecer que os feriados de "regime" destilam "terceiro ou quarto-mundismo"...
Enfim...um sem número de questões.
Das hipóteses de supressão constam 2 feriados religiosos e 2 civis. Ora bem, quanto aos religiosos defere-se à Igreja a decisão. Muito bem. Quanto aos civis, aí há que estabelecer um critério. O corte não pode ser indiscriminado ou fruto de meras opções conjunturais, partidárias ou governamentais. Ora, na proposta em discussão está em causa a eliminação do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro. É uma solução totalmente incoerente, pois o 5 de Outubro é um feriado comemorativo de um regime, enquanto o 1º de Dezembro, a celebração da independência. Daí que a eliminação da instauração da República fosse coerente com a eliminação do 25 de Abril, outro feriado de "regime". Paralelamente, se a opção fosse o corte de feriados "históricos" ou nacionalistas, então o 1º de Dezembro, deveria emparelhar com o 10 de Junho. Isto, claro está se se entendesse, ilogicamente, que a comemoração de mudanças de regime (contigência histórica) deveria prevalecer sobre a celebração da existência de nação (essência histórica). Sei que o "25 de Abril" é um feriado "vivo" (embora moribundo nas gerações abaixo dos 40), ao passo que o 1º de Dezembro, é um feriado "morto", mas também há que reconhecer que os feriados de "regime" destilam "terceiro ou quarto-mundismo"...




2 Comments:
Fantastic! When are you standing for parliament, no - President?
Armando confusão, também poderei dizer que o 5 de Outubro deveria ser feriado porque é o verdadeira data da independência de Portugal, celebrando o Tratado de Zamora de 1143.
Baralhando ainda mais, o 1º de Dezembro é um feriado que comemora uma de mudança de regime, porque durante o período da dinastia de Habsburgo, ou Filipina, o império português manteve-se tecnicamente independente.
E poderemos acrescentar o 26 de Maio, data da Convenção de Évoramonte, verdadeira fundação do regime actual, etc.
Agradeço-lhe ter postado sobre este tema que, se o poder político quisesse, daria uma interessantíssima discussão nacional para bem do ensino da História e para bem da nossa consciência de nação
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