Segunda-feira, Maio 25, 2009

Cineclub(e)

A morte de Bénard da Costa e a "palma de ouro" de Cannes para João Salaviza foram dois eventos opostos do espectro emocional que me trouxeram à ideia o cinema que nós efectivamente vimos. Não sendo do milieu nem entendida no assunto, não posso comentar tais acontecimentos: não conheci Bénard da Costa, embora por dele estar a menos de 6 graus de separação, sempre me tenham chegado, através de alguns conhecidos, esparsos ditos e reditos ora condizentes ora contraditórios da imagem pública. Não conheci portanto o homem. Sei que amou sem platonismo o cinema e foi um homem culto. Basta-me para referência pública. Quanto ao filme de João Salaviza não vi e não sei se, não fosse o prémio, teria alguma vez oportunidade de ver. Ora, é precisamente por isto que me pergunto se podemos ver hoje o cinema que queremos, ou se pelo contrário, estamos condenados às produções, por vezes super, por vezes low cost que vemos invariavelmente anunciadas de norte a sul (ia a dizer do país, mas não, é invariável em toda a Europa!)? Podemos nós que temos uma vida, vidinha, aceder a outros filmes que não os do menu "Lusomundo" ou semelhante? Alguém com menos de 40 anos sabe o que é uma reprise, por exemplo? Há videoclubes, claro, mas, além de serem dvdclubes, a oferta é também ela quase exclusivamente dominada pela distribuição mainstream.
Os focos de resistência são portanto de novo os cineclub(e)s [grafia à escolha de puristas e impuristas] - espaços de liberdade de escolha, nos quais os espectadores escolhem os filmes e não são os filmes a imporem-se-lhes. Haja cineclub(e)s! Nós, felizmente, temos um excelente exemplo, com o CineclubeFDUP. Tão excelente que até trocou as plebeias pipocas pelo requinte do chá. É assim, quem tem, tem.

1 Comments:

Blogger Zenhas Mesquita said...

Apesar de ainda não ter falado com os restantes directores, creio que falo por todos quando agradeço de forma sentida os elogios de que fomos alvo. Cabe aqui também salientar a boa vontade com que os professores se prestam a colaborar com as nossas iniciativas, tornando assim o projecto bem mais interessante. É com muito pesar que encaro a morte de Benard da Costa, que acima das polémicas em torno da cinemateca, deu a Portugal um contributo sem igual, quer se goste ou não dele, o seu valor e a sua paixão pelo cinema são inegáveis. Foi um dia negro para o cinema.

3:09 PM  

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