Cineclub(e)
A morte de Bénard da Costa e a "palma de ouro" de Cannes para João Salaviza foram dois eventos opostos do espectro emocional que me trouxeram à ideia o cinema que nós efectivamente vimos. Não sendo do milieu nem entendida no assunto, não posso comentar tais acontecimentos: não conheci Bénard da Costa, embora por dele estar a menos de 6 graus de separação, sempre me tenham chegado, através de alguns conhecidos, esparsos ditos e reditos ora condizentes ora contraditórios da imagem pública. Não conheci portanto o homem. Sei que amou sem platonismo o cinema e foi um homem culto. Basta-me para referência pública. Quanto ao filme de João Salaviza não vi e não sei se, não fosse o prémio, teria alguma vez oportunidade de ver. Ora, é precisamente por isto que me pergunto se podemos ver hoje o cinema que queremos, ou se pelo contrário, estamos condenados às produções, por vezes super, por vezes low cost que vemos invariavelmente anunciadas de norte a sul (ia a dizer do país, mas não, é invariável em toda a Europa!)? Podemos nós que temos uma vida, vidinha, aceder a outros filmes que não os do menu "Lusomundo" ou semelhante? Alguém com menos de 40 anos sabe o que é uma reprise, por exemplo? Há videoclubes, claro, mas, além de serem dvdclubes, a oferta é também ela quase exclusivamente dominada pela distribuição mainstream.
Os focos de resistência são portanto de novo os cineclub(e)s [grafia à escolha de puristas e impuristas] - espaços de liberdade de escolha, nos quais os espectadores escolhem os filmes e não são os filmes a imporem-se-lhes. Haja cineclub(e)s! Nós, felizmente, temos um excelente exemplo, com o CineclubeFDUP. Tão excelente que até trocou as plebeias pipocas pelo requinte do chá. É assim, quem tem, tem.
Os focos de resistência são portanto de novo os cineclub(e)s [grafia à escolha de puristas e impuristas] - espaços de liberdade de escolha, nos quais os espectadores escolhem os filmes e não são os filmes a imporem-se-lhes. Haja cineclub(e)s! Nós, felizmente, temos um excelente exemplo, com o CineclubeFDUP. Tão excelente que até trocou as plebeias pipocas pelo requinte do chá. É assim, quem tem, tem.




1 Comments:
Apesar de ainda não ter falado com os restantes directores, creio que falo por todos quando agradeço de forma sentida os elogios de que fomos alvo. Cabe aqui também salientar a boa vontade com que os professores se prestam a colaborar com as nossas iniciativas, tornando assim o projecto bem mais interessante. É com muito pesar que encaro a morte de Benard da Costa, que acima das polémicas em torno da cinemateca, deu a Portugal um contributo sem igual, quer se goste ou não dele, o seu valor e a sua paixão pelo cinema são inegáveis. Foi um dia negro para o cinema.
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