Terça-feira, Novembro 10, 2009

Coisas que me intrigam (uma visão não jurídica do casamento entre pessoas do mesmo sexo)

Sendo uma confessa partidária do contrato de casamento, desde logo porque, dê a vida as voltas que der e ela dá muitas, gosto daquela ideia de um dia inicial inteiro e limpo*, dos votos e das promessas, do compromisso quase sempre sincero e a longo termo, da partilha do projecto de vida, da grandeza do passo e da consciência inconsciente do futuro, deveria achar muito louvável, até admirável, a vontade súbita de casar manifestada pelos casais homossexuais e seus representantes.

No entanto, nesta discussão tem-me intrigado que aqueles que defendem o casamento de pessoas do mesmo sexo são exactamente os mesmos - sociológica e ideologicamente são os mesmos - que recusam o casamento civil com o anátema da relação de papel passado, do modelo de vida conservador e burguês, do cerceamento à liberdade individual e à felicidade terrena. Quer dizer, ao menos podiam ser sinceros como o Ricardo Araújo Pereira quando lhe perguntaram se concordava com o casamento gay:"não recomendo...".

Até compreendo (embora não concorde) que os casais homossexuais aspirem a um conjunto de direitos que o actual regime da união de facto não lhes garante: no essencial, adopção e direitos sucessórios. Como compreendo (mas não concordo) que, numa amnésia cómoda, se esqueçam das múltiplas condicionantes e desvantagens do casamento: ilegitimidades conjugais para administrar e vender bens próprios ou comuns, dívidas conjugais, impossibilidade de vendas e outros contratos entre ambos, impossibilidade de mudar o regime de bens, obrigações de alimentos and so on.
Mas o que realmente me causa espécie é esta vontade repentina do papel passado, da instituição burguesa, desta amarra bafienta e tão middle class do matrimónio.

É que não diz a cara com a careta.

*Sophia de Mello Breyner, 25 de Abril

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

A batalha de Bosworth

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Afinal... dizem-nos que não foi aqui. Duas milhas separam aparentemente o mito da realidade. Mas quem quer saber da realidade depois de um mito, Shakespeare, ter moldado outro, Richard III. O rei inglês, sem sepultura conhecida, que, provavelmente, nunca ofereceu o reino por um cavalo, que não se sabe se decidiu ser um vilão, mas que morreu na batalha que mudaria o rumo da história de Inglaterra e de grande parte da Europa, parece cada vez mais envolto na bruma. Onde é que terá perdido o reino?

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

CIJE

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Versões e originais (continuação)

Esta funesta manía de pensar da MRR levou-me a reflectir sobre a questão das versões e dos originais que, não sendo magna, tem a sua piada.
Em primeiro lugar, quando disse no post anterior que tendemos a gostar mais das versões que vivemos não queria dizer que elas nos eram necessariamente contemporâneas. No caso, nem MRR tem idade nem ar de quem foi contemporânea do original da Song to the Sirene, embora ficasse na dúvida se era do original ou da versão de Plant que recaía a sua preferência. Acontece que na adolescência muitas músicas nos chegam pela mão de um irmão mais velho, de um primo, de um namorado. Foi assim para mim no caso de algumas das músicas que mais gosto de Bowie (Wild is the wind e Starman) que nada têm a ver com o Bowie da minha geração, o do Let's dance e do She never let me down, bem mais pop e comercial.

E sucede também que quando as vivemos - quer as versões quer os seus originais -a elas nos afeiçoamos e se tornam tão nossas que não queremos saber dos antecedentes: no caso, a versão de Nina Simone pode ser a verdadeira mas Wild is the wind há só um, o do Bowie...
É claro que quando os originais são nossos contemporâneos a coisa pia muito mais fino, i.e, os Smiths são os Smiths que são os Smiths e ninguém pode fazer versões dos Smiths. Ponto. Ok, o Morrissey a solo terá alguma legitimidade mas só ele...

Serve tamanho arrazoado para concluir que isto de originais contra versões se pauta, antes de mais, não por um critério objectivo de prioridade mas pelo puro subjectivismo e particularismo do caso concreto. Ou seja, se a música em questão, seja a enésima versão ou a original, foi importante para mim, mesmo que já tenha barbas ou que seja o epítome da minha geração, será sempre a minha preferida.

P.S. António Sérgio havia gravado na semana passada os programas desta semana. A Radar transmitiu-os na segunda-feira. Cá em casa, desde que temos um Internet Radio (liiindo, da Tangent) deixámos (pelo menos nisto) de ser marginalizados em termos musicais e ouvimos entre muitas coisas boas por esse mundo fora, a Radar do Montez. Ouvir o António Sérgio era sempre uma lição e um upgrade e update musical e a prova daquilo que tenho vindo a dizer: nunca se fez música tão boa e em tão grande quantidade como agora. Paradoxalmente, era muito mais fácil chegar a ela nos "dias da rádio".

Muito mais do que três cantos


Na noite passada (não propriamente na de ontem mas na de Domingo) ouvi Rosalinda no Coliseu. Foi por ela, e por muitas outras quadras mais ou menos soltas, que lá fui. Com um brilhozinho nos olhos percebi que esta era a primeira noite do resto da minha vida. Os velhos samurais estão de boa saúde e apesar de mudarem os tempos não se mudam as vontades. Que força é essa que José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto ainda conseguem arrancar tão de dentro, causando tanta, tanta, inquietação, inquietação, inquietação?...

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Claude Lévi-Strauss

Lévi-Strauss morreu ou (des)estruturou-se?

Poesia trovadoresca



Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Song to the siren (desencontro geracional ou quase)


"Song to the siren" é uma canção imortal, mas para mim é Tim Buckley numa recriação fortíssima de Robert Plant. A versão ethereal de Elizabeth Fraser é, contudo, apenas mais uma bela versão.
Rest my case...

António Sérgio (1950-2009)


http://www.youtube.com/watch?v=4mUmdR69nbM


Uma das minhas preferidas na play list de António Sérgio. Podia dizer que com ele desaparecem os meus dias da rádio, uma certa maneira de ouvir música, os saudosos anos 80, a minha juventude, enfim. Mas não digo. António Sérgio era, em primeiro lugar, um divulgador atento e actualizado de tudo o que se fazia de melhor, ainda hoje, no pop/rock e muito pouco dado a nostalgias. Era, acima de tudo, um homem da frente.

Dia das bruxas (e de outros seres medonhos)

No Sábado à noite fomos invadidos por estranhos aracnóides...

Viagens na minha terra (126)

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

(Ainda) se fazem músicas assim

Belle and Sebastian, "The state I am in"

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Viagens na minha terra (125)

P.S. Declinamos qualquer responsabilidade pelos erros ortográficos contidos na mensagem

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Outono (antes da chuva)



Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Saramago, a Bíblia e o deputado

Há muito que Saramago se assumiu como o ferrabrás do ateísmo. É com ele e só. Desta vez disse que a "Bíblia era um manual de maus costumes" e toda a gente prestou muita atenção. A ideia não é original, nem boa. Já o Cecil B. DeMille, que transformou a Bíblia numa fonte inesgotável de superproduções, dizia ou dele diziam, não me recordo, que aí estavam todos os ingredientes do sucesso: sexo, violência e poder. Claro que há cidades arrasadas, mares que se abrem, filhos sacrificados, adultérios escandalosos, decapitações e tudo o mais quiserem. Mas claro que a Bíblia é um livro de livros e por isso é extremamente superficial a redução de Saramago, mesmo sem cuidar do seu carácter sagrado ou profano. Esperava-se que um homem marcado pela excepcionalidade dissesse algo mais interessante, mas enfim, todos temos falas infelizes. Pessoalmente, a nível puramente literário, acho a Bíblia, rectius, alguns dos seus livros, maravilhosos, no sentido mais originário da palavra, basta ler o Apocalipse, por exemplo, e quanto a costumes, bem a humanidade é o que é...
O escritor fez uma crítica literalista da Bíblia e caiu o Carmo e a Trindade. Não compreendo.
O facto de ter ganho o Nobel, não faz dele um ungido, nem as suas opiniões deixaram de ser iguais ás de qualquer outro cidadão. Assim sendo, porque é que o deputado europeu Mário David (de que eu jamais ouvira falar) exorta Saramago a renunciar à nacionalidade? Ofensa a um povo e a confissões religiosas? Haja sentido de proporcionalidade e justa medida. Se as afirmações de Saramago são polémicas é pela sua flacidez, enquanto que as do deputado são completamente despropositadas e excessivas. Todos, ateus, agnósticos e crentes têm direito à expressão das suas ideias, mesmo que elas sejam apenas assomos de estupidez, e nenhum deputado tem qualquer faculdade de julgamento sobre quem deve ser nacional de um país.
Já agora, grande publicidade à Bíblia, nos tempos que correm que melhor slogan pode haver do que vendê-la como um "manual de maus costumes" ? E o livro? Esse sai de arrasto das prateleiras. Todos contentes, excepto os leitores do Saramago que, como eu, gostavam muito mais que ele abandonasse os temas religiosos que o trazem tão atormentado.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Viagens na minha terra (124)

 
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Terça-feira, Outubro 13, 2009

Democracia mirrada (continuação do lamento anterior)

Olhando para o quadro geral dos resultados eleitorais, com excepção de um outro acerto por força do acaso, tiro a prova de que a antiga audiência do Canal 2 da RTP não chega para puxar as carruagens carregadas de estupidez, de deslumbramento ou de cupidez. São poucos, muito poucos os espectadores do Canal 2, os outros, o país real do porco no espeto transformou os partidos em veículos de acesso da clientela esfaimada a carcaça dizimada pelos predadores do "aparelho" e da nomenclatura. Por uma história muito comprida que não vem ao caso, nao voto nem nunca votei e posso por isso compreender Lobo Antunes e outros quando nao reconhecem qualquer utilidade ou propósito no voto. Nos cerca de 40% que não podem ou não querem votar há muitos que pura e simplesmente não querem legitimar a mediocridade. Ora as autárquicas acabam de nos mostrar que o limiar crítico dessa mediocridade desceu mais uns pontos.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Vitórias, derrotas e assim, assim.

Depois de duas horas em frente à televisão desde o início do "especial autárquicas" (de vez em quando parece que há tempo a perder...) desisti de saber os resultados da terceira maior cidade do país. Fiquei, no entanto, consolada com a derrota de Fátima Felgueiras e Ferreira Torres (mais uma vez, haja esperança) e muito contente com a vitória de Macário em Faro (ainda que temendo pelo futuro da minha Tavira). Ah! e Beja caiu.

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

ainda o prémio...

Obama??? Prémio Nobel da Paz? Que extraordinária máquina de lobby tem o homem! O Comité Norueguês perdeu o pouco tino que tinha? Se o problema era falta de candidatos credíveis, há tanta missão por esse mundo fora que estabiliza, acompanha e protege as comunidades, gente de verdadeira paz... Enfim, Prémio Nobel da Paz, versão Hola!

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

E o prémio não vai para...

Philip Roth, claro. O Llosa, esse, já nem é finalista. Assim fala a independente, equidistante, ideologicamente descomprometida Academia Sueca. Pode ser que um destes dias já ninguém queira saber quem ganhou o Nobel da Literatura.

P.S - estou quase a acabar o último Roth, Indignation, que mesmo no original lê-se de um fôlego. Simples e intenso como só os grandes não nobelizáveis sabem fazer.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Mercedes Sosa


Gracias, La Negra. A diva das Canciones con Fundamento calou-se.

Domingo, Outubro 04, 2009

Autárquicas 2009 - O ano do porco

Não bastava a gripe do porco. Agora, da esquerda que Deus haja à direita no armário, o menu é: porco no espeto. Não há programa de campanha sem uma febrita. É a última do marketing político, conquistar os carnívoros (os vegetarianos são uma minoria desprezível, seja como for) e aumentar-lhes o colesterol. Depois das sardinhadas, das arruadas, venham as porcadas, com licença da má palavra!

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Casa das Histórias, Paula Rego


Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto, não tinha nada...
a não ser muitas meninas, mulheres-cão, coelhas grávidas e gatos malucos...
Imperdível!

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Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Manuela Ferreira Leite, "A Velha"

Não sou, não fui nem serei, salvo caso de demência incontrolável pela família, militante do PSD ou de outro partido. Não sou, não fui nem serei admiradora, seguidora ou simpatizante da Dra. Manuela Ferreira Leite. Aos costumes, digo, portanto, nada. No entanto, não posso deixar de observar irritada como a dita senhora é alvo de tratamento sexista e discriminatório. Quer apoiantes, quer detractores referem-se-lhe amiúde como "A Velha" ou criticam a sua idade. Pois bem, segundo acabei de conferir, a senhora nasceu em 3 de Dezembro de 1940, tem pois 68 anos. O Presidente da República tem 70 anos, o Dr. Manuel Alegre 73, o Professor Freitas do Amaral é praticamente da mesma idade de MFL (1941) e nunca ouvi ninguém referir-se a nenhm destes cavalheiros como "O Velho". Isto para já não referir os Drs. Mário Soares ou Almeida Santos que, pela mesma lógica, com os seus 85 e 83 anos, respectivamente, teriam que ser cognominados, "os Matusalém".
Quer dizer, as mulheres nunca adquirem um estatuto senatorial e são sempre estigmatizadas pela idade e indirectamente pela aparência física. Espera-se que sejam eternamente jovens, bonitas e atraentes, enquanto os homens se podem transformar com o tempo em respeitáveis decrépitos. Isto porque o poder é ainda exercido no masculino. Imaginem o que seria se os papéis se invertessem e se de repente as mulheres começassem a julgar/avaliar/escolher segundo os mesmos padrões: se para os conselhos de administração, gestão e direcção fossem excluídos todos aqueles que não satisfizessem os critérios de perímetro abdominal, densidade capilar, condição da epiderme e bom gosto no vestuário. Era uma razia maior do que Alcácer-Quibir...e olhem que pode acontecer.
Dra Manuela Ferreira Leite, a Senhora fez o favor de provar que as quotas não resolverão nunca o problema discriminatório e, além disso, tem um excelente fundamento para uma acção de discriminação em função da idade e da aparência física. Contra quem? Contra um país que esse sim teima em ser velho, tão velho como o mito marialva.

Viagens na minha terra (123)

 
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Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Ganhámos todos

como de costume. Interrogo-me se será uma idiossincrasia lusa ou se "lá fora" também ganham todos. Por cá, uma coisa é certa, o País continua a perder. Coisas boas: a crista do Sr. PM ficou murcha, o Louçã enganou-se no discurso de vitória porque afinal perdeu para os betinhos, ainda por cima nos núcleos urbanos e nas camadas mais jovens - haja esperança! - e pode ser que os senhores do PSD ganhem finalmente juízo (wishful thinking...).
E a vida continua.

Domingo, Setembro 27, 2009

Jorge Vasques (1958 - 2009)

O actor Jorge Vasques morreu ontem. Morreu no teatro Helena Sá e Costa depois do pano descer, segundo me dizem. A representar o "O Feio", ele que era um homem bonito. Para nós morreu o Jorge Humberto, o nosso colega de escola e amigo, que sempre recordaremos como um dos "50 Magníficos" de 1958. Não deixou o espectáculo a meio, apenas a vida. Vamos sentir a falta do seu sorriso e eu não vou tornar a adiar almoços com amigos. "Meu coração partirá em paz para o céu porque fiz a paz com os meus amigos na Terra", disse ele por um dos seus personagens, e por si, sem dúvida.
Bravo Jorge!

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Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Inglorious bastards e a UNESCO


Era uma vez um indivíduo repelente chamado Farouk Hosni, muito conhecido no seu bairro e um pouco na sua terra. Um belo dia resolveu, "no calor de um momento de defesa do povo palestiniano" (segundo o próprio), clamar que todos os livros hebreus da Biblioteca de Alexandria deveriam ser queimados, oferecendo a sua prestimosa mão-de-obra para o efeito. Todos se lembraram logo do pobre do Heinrich Heine e do seu profético onde se queimam livros, acaba-se a queimar pessoas, mas a coisa teria ficado ali mesmo por conta da estupidez, não fora a criatura pirómana resolver candidatar-se a secretário-geral da UNESCO. Sim, da UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Felizmente perdeu a eleição para a candidata búlgara, sem, contudo, deixar de culpar uma conspiração sionista. Não sei se estava à espera de uma coligação hebraica para o levar em ombros... Mas para mim o mais chocante ainda foi ler nos jornais que Portugal havia apoiado este homem de tão elevados padrões culturais, embora sem a presença do embaixador. Tudo por causa de uma suposta negociata de votos para o Conselho de Segurança. E o facto passa despercebido na campanha eleitoral.Se calhar foi por historietas destas que o Tarantino se lembrou dos seus Inglorious Bastards...Um conselho Mr. Hosni, desista da ideia: seria uma tarefa hercúlea a queima dos livros judeus e não esqueça, tinha que começar pela Bíblia e terminar na produção de mais de 160 laureados com o Nobel.

* A minha grafia não segue a do Tarantino, primeiro porque não tenho a ortografia do Tenente Aldo Raine e, em segundo lugar porque não gosto de escalpes.

Domingo, Setembro 20, 2009

Viagens noutras terras (50)*especial Istambul (mesquitas)


Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Viagens noutras terras (49)* especial Istambul (mercados)

Karojisatsu na France Telecom

Então não é que afinal o "karojisatsu" chegou mesmo à Europa, como eu temi? Porque será que os europeus em matéria de trabalho emulam o que de pior tem a cultura asiática, o menosprezo pelo indivíduo? 22 suicídios em 18 meses é uma epidemia mais virulenta do que a gripe dos porquinhos. Para o direito do trabalho o fenómeno é inquietante, pois pela primeira vez no evolucionismo jurídico, temos o modelo menos desenvolvido (asiático) com uma força atractiva sobre o mais desenvolvido (europeu), conduzindo assim ao retrocesso civilizacional. Será que, tal como no Japão, estas mortes serão havidas e tratadas como "acidentes de trabalho"? A Cassation tem andado muito inovadora, será que chega a tanto?

Terça-feira, Setembro 15, 2009

... be sure to wear some flowers in your hair...

 
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Terça-feira, Setembro 08, 2009

O Verão colhe, o Inverno come

 
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Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Férias de Agosto




Divido as férias de Agosto da idade adulta em duas eras: A.C.(antes das crianças) e D.C (depois das crianças). A transição entre uma e outra não foi, convenhamos, fácil.
Das férias on the road, livres de compromissos, horários ou rotinas à excepção das ditadas pelo tempo e pelo mapa, das férias-viagem, da descoberta e aventura pessoal e geográfica, das férias a dois ou em grupo de iguais, às férias com elas, foi um longo caminho e uma aprendizagem nem sempre indolor.
As férias D.C têm horários (de sono, de refeições, de brincadeiras), têm muito pouca estrada, têm mais piscina do que mar e quase nenhuma vida social, à excepção da vida social delas (já estão a entrar na fase Verão Azul...), têm brigas, birras, barulho, abraços e beijinhos.
Como é óbvio, o que recebemos destas férias D.C é incomparavelmente mais do que o que perdemos e como este tempo com elas não tem, na verdade, preço, o problema não se coloca. Acresce que, por defeito ou feitio, sou uma incorrigível optimista e tenho a mania de dourar as sucessivas pílulas que a vida me vai aviando e reverter a coisa a meu favor. Assim, as férias D.C passaram a ser umas ricas férias; na verdade, passaram a ser férias a sério ou só-férias. Sem a estrada, as férias sedentárias no Algarve burguês, civilizado e confortável ganharam novos atractivos: cozinhados estimulantes seguidos de jantares al fresco num clima decente, livros devorados nos horários das sestas, sol e praia até à exaustão e...claro, fugas higiénicas ao outro Algarve, a nossa praia, quer o da Costa Vicentina quer o das ilhas da Ria Formosa.
Bem, e de qualquer modo elas estão a crescer...e a incorrigível desassossegada que há em mim começa a planear novos caminhos e novas viagens mas, desta feita, com elas.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Viagens na minha terra (122)

 
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Notários - publicidade enganosa

"Se o seu notário assinou o seu direito está garantido". Assim reza o slogan de campanha dos notários para justificar a sua função social. Sou a favor da existência do notariado e da atribuição de competências exclusivas, mas é de pouco lustro e valia encetar uma campanha baseada na incorrecção: os notários não garantem, nem nunca garantiram direitos, como até um iniciado bem sabe (ou se não sabe, é melhor mudar de ofício). Tem uma pessoa um trabalho danado a explicar o que é um documento e depois um documento autêntico, para depois vir um publicitário estragar tudo. Os documentos limitam-se ao domínio dos factos e apenas dos factos e por isso não garantem nem podem garantir direitos. A (in)cultura jurídica dispensa (mais) esta publicidade enganosa. Juristas m/f precisam-se para agências de publicidade e órgãos de direcção da ordem dos notários. Entrada imediata.

Domingo, Agosto 02, 2009

José Afonso, homenagem pindérica

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Afinal, no dia do octogésimo aniversário do nascimento de José Afonso, o descerramento sempre se deu, não obstante já ter acontecido. O homenageado merecia, pelo menos, a cortesia de um descerramento que o fosse e não apenas um gesto "faz de conta" numa placa vista e revista. É um pormenor, mas muito revelador de como se fazem as coisas sem brilho e sem empenho, só por fazer...

Sábado, Agosto 01, 2009

Viagens na minha terra (121)

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Leonard Cohen - dance us to the end of love

Magnífico espectáculo! Que embalo na harmonia da palavra, da poesia e da música. Ao fim de 5 segundos em palco Leonard Cohen tem o público seduzido, em crescendo, tanto que ao fim de 3 horas (!) fascinado ainda não estava pronto para partir. Temas iconográficos, músicos de excepção, suporte coral impecável, mas acima de tudo, a mestria de uma lenda que, aos 74 anos, projectando a sombra do seu belo perfil judeu em fundo ou ajoelhando com uma elegância de gentil-homem, ainda canta com a alma de partisan, debruçado sobre o microfone, num encolhimento quase fetal, como se fora a primeira vez. As mãos expressivas de gestos contidos e muito masculinos também cantam. A cada agradecimento, há um olhar orgulhoso no gesto tímido e cavalheiresco de tirar o chapéu, como é próprio da grandeza humilde do génio. Um tremendo respeito pelo outro, seja ele o músico, o técnico ou o público. Um dos melhores, ou talvez mesmo o melhor, concerto a que assisti. Estive lá. Muito obrigada, so very kind of you.

(Nota: foto retirada de Portugal Diário)